sábado, outubro 31, 2009

Eterna construção de mim

Não tenho medo de mudar,
Tenho medo de permanecer.
As mudanças acontecem todos os dias.
O dia que eu não mudar,
Um pouquinho que seja,
Preparem as flores.

sábado, outubro 24, 2009

Falando de Paixão

Cega, surda e muito falante, a paixão aterriça.
Ela não chega mansinha, pedindo licença, não.
Ela chega explodindo, gritando, dominando.
Ela é egoísta, só pensa em si mesma.
Ninguém ensinou a paixão, quando ela era pequena, que não se deve roubar ou matar.
Então, sempre que pode, ela arranca o coração dos outros fora e algumas vezes mata, mesmo que o corpo continue a vagar pelo mundo.
A paixão tem muitas faces e muitos nomes.
Em seus documentos lê-se Temporária, Destruidora, Fogueteira, Doentia.
A paixão é bela, muito bela, quando encontra um outro alguém também chamado paixão, o que transforma todos os dias em arco-íris com potes de ouro.
Mas se a paixão encontra-se sozinha,por qualquer razão que seja, ela arde por dias,
Anos,
Até transformar-se em memória.

terça-feira, outubro 20, 2009

Insônia

Foi estranho. Estranho mesmo. Eu olhei para a janela do carro e comecei a achar tudo um pouco diferente do que era antes. E a noite não tem culpa, eu é que não consigo dormir: são muitos sonhos para pouca noite.

segunda-feira, outubro 12, 2009

As borboletas do caminho

Vivo me apaixonando por ai.
Sempre fui assim.
Paixão passageira, paixão duradoura.
Me apaixono por coisinhas bobas que passam no meu caminho, me apaixono por momentos que passam como brisas.
Às vezes me apaixono por uma música ou outra, e ela acaba junto com a paixão.
Às vezes me apaixono por uma cor, mas também passa sem que eu tenha controle.
Um dia me apaixonei pela música brasileira, e essa paixão virou amor.
Um dos meus grandes amores eternos.
Um dia me apaixonei por um mocinho qualquer, e também durou para sempre naquele momento, até que um dia acabou.
Paixões são sopros de vida que nos fazem lembrar que viver é preciso, por isso me permito me apaixonar sempre, e muito.

segunda-feira, outubro 05, 2009

Talvez seja assim

Às vezes a gente tem que despistar todo mundo para que ninguém veja a alegria absurda que estamos sentindo. Para que ela não escape no meio de tantos olhares curiosos, para que ninguém nos a tome (mesmo que sem querer). Assim também acontece com a tristeza profunda. Temos que despistar todo mundo, para que ela não se espalhe e acabe penetrando outras vidas e deixando tudo azul. Para que ela não saia de nós e passe para quem precisamos ver sorrindo. As máscaras diárias protegem a nós mesmos e salvam vidas. É preciso saber usá-las, no entanto, para que a vida não seja vivida por trás da máscara, na solidão. É preciso saber deixar o pouquinho exato de tristeza e o pouquinho exato de alegria transbordarem para todos os lados e penetrarem em alguns cantos.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Meus porquês

Descobri que os meus porquês são todos momentâneos.

Não encontrei um porque maior, um porque que justifique tudo.

Meus motivos duram um sopro de um dia, uma batida de um coração.

Às vezes se prolongam por mais de uma lua e chego a pensar que descobri o porque superior, mas reflito e percebo que não, ainda não descobri o porquê do porque.

quinta-feira, outubro 01, 2009

Tudo que eu não disse

Se eu não soube me despedir
A vida fará isso por mim
Um dia, por fim
Enquanto eu estiver distraída
Ou enquanto eu dormir
Que seja enquanto eu durmo, para que eu não veja o último instante
Que seja incompleto, para que eu fique com o restante
Sempre fui de acreditar
Mas dessa vez eu não sei se e o nosso caos tem cura
Se há buraco nessa fechadura
É que eu nunca vi isso antes
Nunca vi essas cores, esses sinos, essas flores
Tudo que há no seu peito
Tudo que causa esse efeito
E o que resta pra mim são só as dores
Mas se eu implorar mais um adeus,
Se jurar partir para nunca mais
Me segure
Me peça para ficar
Me impeça de falar
Não deixe que eu parta
-ao meio
jamais

segunda-feira, setembro 14, 2009

Acontecimentos

As coisas todas acontecem.
Misteriosamente acontecem com o nada.
No chão, com o vento, para o céu.
(Aparecem e podem sumir).
Segurem-nas com as duas mãos.
Não as deixem voar com os pássaros,
Não as deixem escorrer para o ralo,
Com a água do banho.
Não as deixem soltas como pétalas caindo da flor,
Porque não são flor.
O vento é fragil, fraco, não se vê,
Mas às vezes leva tudo o que se tem.
(Violentamente, como se as coisas não precisassem de despedidas)
Como se tudo bastasse no momento em que se acaba,
Como se nunca ficasse um talvez, um suspiro, uma lágrima.
As coisas todas acontecem. Sempre.
Tudo que se quis, tudo que se quer, tudo que não se tem: acontece!
Não deixe que nada escape.
Porque as coisas se vão, misteriosamente...

sexta-feira, setembro 11, 2009

Necessidades da vida...

Um dia a gente se conheceu.
Foi uma coisa muito forte.
Uma questão de necessidade.
Eu precisava dos textos dele, da racionalidade, do amor que ele sentia por mim.
Ele precisava de mim. Precisava da minha alegria e despreocupação com tudo.
Era como uma balança e a base de tudo era uma paixão maior do mundo.
Maior.
Maior que qualquer desavença familiar, dinheiro, ciúmes, tempo ou espaço.
A gente se precisava como remédio, como cura.
Mas um dia eu sarei.
Levantei da cama, pude andar descalça pelo chão frio, prender o cabelo e rir alto, descontroladamente.
A garganta já não doía.
Nada já doía.
A gangorra despencou e eu fui jogada para o céu, quase tocando as estrelas, e voltei para a terra, me equilibrando.
Voltei a ser o que eu nunca fui.

domingo, agosto 23, 2009

O que me basta

Para mim, me basta que tu me olhes.Não preciso de muito: de presentes ou promessas.
Não preciso tocar o teu corpo, não preciso beijar os teus lábios.
Me bastam os teus olhos cheios de vontade do que não pode ser.
Me basta a tua vontade.
Que quando falas, tuas palavras são doces, mesmo que fales de abandono e solidão.
Que quando me beijas, são os teus beijos que desejo.
Mas para mim, me basta o teu olhar.
É do teu olhar que, às vezes, eu tiro toda poesia.

quinta-feira, julho 23, 2009

Reencontro dentro de mim

Foi assim.
Olho no olho.
Apertando as duas mãos.
Sem sinal de sorriso,
sem palavras,
sem piscar
que descobri aqui dentro
minha coragem.

domingo, julho 19, 2009

... Eu vejo flores em você...

...Na verdade o barulho lá fora são só as árvores se mexendo, e chuva também
Mas o que parece é barulho de mar num daqueles dias de férias de romance de verão, de friozinho na barriga para o dia seguinte e ansiedade para entrar no mar, beber água de côco... É um barulho de ondas que dá vontade de ficar acordada ouvindo para sempre
Para essa sensação nunca passar...

segunda-feira, julho 13, 2009

Na chuva de anteontem

Cai chuvinha
Lava tudo
Lava meus pensamentos confusos
Molha as plantinhas lá fora
Traz vento novo, sol novo, alegria nova
Faz barulhinho na janelal
Leva recado pra longe
Limpa passado que é passado
Chove muito muito
Para amanhã tudo ficar mais claro

sábado, julho 11, 2009

Superficialidades da vida

Atualmente as coisas se tornaram descartáveis.
Nada de guardar para sempre, nada de comprar para vida toda.
Puro descarte.
O tempo já foi mais estático, mais sólido.
Agora não, esqueça.
Somos a geração da água. A água se adapta, evapora, água some, renasce diferente.
Modernidade líquida, minha gente, modernidade líquida.
Eu, influenciada por essa tendência biruta de que o mundo nada mais é do que um descarte, mandei ver. Descartei coisas, descartei palavras importantes, descartei músicas como faço quando enjôo do meu ipod.
Descartei isso e aquilo e é claro, descartei pessoas. Cabeleireiros, manicures, e todo tipo de ser vivo que não atendesse às expectativas, seguindo o raciocínio de que a oferta é sempre maior que a demanda.
Tchau, adios, bye, dizia eu.
Até que um dia minha tartaruga errou o caminho, e eu a descartei. Mas ela, atrasada como qualquer tartaruga, não sabia nada dessa história de modernidade líquida, e não aceitou.
Falou-me sobre o individualismo das pessoas, o quanto o ser humano de hoje só enxerga o que quer. Reclamou da superficialidade das relações e dá falta de vontade pra perdoar, dar uma chance e entrar em contato com os sentimentos.
É mais fácil descartar mesmo! Gritava ela, o diálogo se esvaziou, os sentimentos não são mais intensos...
E foi então que realizei o mal do século.
A pequena tartaruguinha, com sua sabedoria milenar, não me descartou.
Mostrou-me o quanto é gostoso cultivar uma amizade e lutar por ela.
Obrigada tartaruguinha, por me mostrar que o amor engloba o perdão, o aprender e o lutar. Estava quase corrompida pelo sistema, agora não mais descarto.

quinta-feira, julho 09, 2009

Perguntas sem respostas

Não fico mais me perguntando para que servem as coisas. Por que que eu sinto de tal forma com relação a algumas pessoas e a outras eu sinto exatamente o contrário. Não me pergunto mais do que são feitas certas pessoas e por que tanta gente não vê o que eu vejo. Eu não pergunto mais. Talvez eu tenha enjoado de tanto buscar algo que não vai me tirar deste lugar. talvez eu não tenha mais aquelas curiosidades antigas. E talvez eu saiba, talvez eu simplesmente saiba, que a resposta é tão misteriosa quanto todas as minhas perguntas...

segunda-feira, julho 06, 2009

É pedir demais querer ver-te hoje?
E amanhã,
e depois,
e depois
e o dia depois disso?

sexta-feira, julho 03, 2009

O dia que fui estrela

"Ainda fiquei por algum tempo sentado na escadinha em frente a porta
Ainda achei que dava para esperar mais um pouco antes de trancá-la
Mas a noite veio e ninguém apareceu
Levantei, dei mais uma olhada, olhei o céu se apagando atrás das montanhas, vi os pássaros se recolherem, os grilos saírem, o uivo rasgar a pastagem, o vento parar e me ensurdercer com seu silêncio
Era um lugar lindo, mas vazio
Ninguém veio, cansei, fechei a porta
Fechei mesmo, com cadeado e corrente, e deixei espinhos na maçaneta
Joquei a chave no lago que havia mais abaixo
Peguei a estradinha de terra, estreita e escura, e sem me despedir, segui meu caminho deixando todos meus desejos, sonhos e esperanças no baú do terceiro quarto à esquerda, no segundo andar
No céu tinha uma estrelinha linda, que brilhava muito pouco, mas estava lá entre todas as outras, praticamente imperceptível

Mas me encantou aquele brilho fraco mas insistente
Resolvi subir na lua, como sempre fiz, para poder vê-la melhor
Quando cheguei não estava mais lá
Cansado e decepcionado, me enconstei em uma pedra e cochilei um pouco
Acordei e ainda era noite, resolvi voltar pra minha estradinha e continuar meu caminho
Foi quando notei uma certa luminosidade naquela porta em frente a escadinha
Pensei muito antes de decidir verificar o que seria
Quando cheguei na escadinha vi que a porta não havia mais, e uma luz forte vinha de dentro, principalmente na janela do terceiro quarto à esquerda, aquele do segundo andar
Era a estrelinha, ela veio a mim e entregou as coisas que estavam trancadas no baú
Tudo estava quente novamente, a luz penetrou em todos os ventrículos e átrios da casa, que voltou a pulsar e iluminar todo o resto
Tudo está limpo, agora posso ficar, pra sempre

Não estou mais sozinho nem com medo, a estrelinha está aqui, cuidando de mim..."

ps: presente de uma época em que o céu era sempre estrelado, não importava-se o quão nublado estivesse...

domingo, junho 21, 2009

Nem sempre é fácil assim

Fugir é fácil
Resolve problemas
Faz esquecer obrigações
Posterga situações indesejadas
Mas não nos protege de dar de cara com nós mesmos.

quinta-feira, junho 18, 2009

Vida nova

Acho que sou uma reencarnação
Sou uma reencarnação de mim mesma
Voltei a Terra no meu próprio corpo para rever meus erros, consertar os estragos e acertar o caminho
Voltei e agora com a alma mais limpa; não menos confusa, mas mais sóbria
Possível agora seguir em frente para não olhar para trás
Lembrar do que passou sim, mas se arrepender não é mais preciso
Nesse meu novo-velho corpo tenho uma nova-velha vida que posso aproveitar direitinho
E fazer dela um lindo caminho
com pedrinhas,com pedrinhas de brilhantes

quarta-feira, junho 17, 2009

Teimosia teimosa

Sou mais teimosa que carro desalinhado, pipa sem rabiola e disco riscado.
Mais insistente que menino de rua, sol no verão e o menino do brocólis no comercial.
Não sei o porque mas insisto, insisto e me dou mal sem nem perceber.
Mas às vezes, teimosia é bom, é só ser educada e contida que vira um dom.
Isso chama perseverança, bonito nome mais em excesso vira lambança.
A quantidade de teimosia deve ser como tudo na vida, um pouco exagerada um pouco contida.
Bom senso é a chave dessa porta, e estou tentando achar o equílibrio para não deixa-lá morta.

terça-feira, junho 16, 2009

Meu ponto de vista

Pode ser vista como um tipo de investimento.
Como alguém que não semeia poderia colher?
Como alguém pode querer a perfeição do outro
Se nem o sabe ser?
Quem acrescenta algo ao próximo acrescenta muito mais a si mesmo.
Aquele que deseja o frescor de uma sombra precisa antes plantar uma árvore.
Generosidade é isso, pelo menos para mim...

domingo, junho 14, 2009

Gira mundo Gira

Você já parou para pensar por que o sol nasce no leste e se põe no oeste?
Não, não é ele que se move e sim a terra que se contorce para estar sempre viva, alegre e iluminada.
Já pensei que seria legal ser o sol, apenas ficar parado iluminando todo mundo - mas com certeza com tanta luz assim seria impossível ver, os olhos ficariam brancos e os caminhos confusos.
Se é assim, prefiro ser a pequena terra, ter que me mexer, rodar , correr e as vezes me confundir.
Mas poder estar não só com o sol mas com o mar, o céu e também o luar.

Quando fechei meus olhos

E vi tanto.

Vi estrelas num céu de interior
Vi caminhos, lugares, pessoas
Vi a lua chegar bem pertinho

Senti o frio se acabar com um abraço,

as preocupações caberem num potinho

e amanhã ser o dia mais longe do mundo...

terça-feira, junho 09, 2009

Amar sem receber

Não é que eu seja tola ou inocente. Eu apenas amo as pessoas muito antes de descobri-lás. E na hora de descobri-lás eu as descubro já com os olhos do amor, que são tantas vezes cegos. Todas as vezes, as boas e as ruins, houve o meu amor e ele nunca foi desperdiçado. Todas as pessoas que eu amei, de uma forma ou de outra precisaram do meu amor. E eu não me importo em saber se elas o mereciam, isso já seria perda de tempo.

domingo, junho 07, 2009

Papai do Céu

Aqui embaixo todo mundo procura pelo Senhor o tempo todo. O chamam de milhares de nomes, o vêem em milhares de imagens. Dizem que o Senhor olha feio quando as pessoas fazem coisas esquisitas e que o Senhor escolhe quem vai ficar aí em cima com o senhor: não é todo mundo. É verdade mesmo? Não acredito em tudo que dizem, mas uma coisa ou outra eu até suspeito. Sabe Deus, todo mundo aqui embaixo precisa do Senhor, embora muita gente não assuma. O Senhor vai mesmo descer daí um dia e abraçar toda essa gente? É muita gente, meu Deus! Eu até que tenho sido boazinha, cometo apenas um ou dois pecados por dia. Será que o Senhor vai me escolher para ficar aí em cima também? Não que eu tenha medo lá de baixo, claro que não, mas ouvi dizer que por aí tem marshmellow para todo mundo e uns garotinhos de cabelos encaracolados tocando harpa. Mas harpa, meu Deus? Por que harpa? Acho que prefiro uma guitarra. Deus, será que vossa Santidade poderia descer um pouquinho antes e me dar só um abracinho? Eu prometo que não contarei para ninguém, e quando eu O reencontrar aí em cima, eu finjo que nunca O vi mais gordo. O que o Senhor acha? Talvez seja só o seu abraço que possa salvar a minha vida... como sempre!

domingo, maio 31, 2009

Afinidades

Às vezes eu penso que existem passos que caminham juntos, e outros que não.
Esses que andam tão separados, vez ou outra teimamos em juntar, e eles se fingem perfeitos, perambolando lado a lado.
Mas de repente escurece, e eles se perdem um do outro.
É o instinto que ensina a ambos sua estrada verdadeira.

Na viagem da vida

A vida talvez seja um grande barco.
Um transatlântico que navega em águas às vezes calmas e tantas vezes cheias de ondas.
Dentro deste grande transatlântico há aqueles que viajam em cabines sofisticadas e os ratos de porão.
Chapéus bordados, aventais, fraldas e uma tosse ou outra.
Ele oferece o céu a quem se interessar, e o medo a quem se entrega.
Este grande flutuante, pensam alguns, é apenas passagem, um condutor ao destino final, seja lá qual for.
Outros não pensam em nada, apenas aproveitam toda a viagem porque o destino não importa.
A grande maioria está preocupada em pensar: estou fazendo uma viagem agradável?
Ao passo que alguns mínimos lembrarão-se de perguntar: Seria eu uma boa companhia?

sábado, maio 30, 2009

De novo e sempre...

Estão todas aqui ainda, as minhas rachaduras de outrora.
Por vezes se tornam maiores, por vezes se calcificam.
Eu já superei, já virei a página, já rolou muita água por debaixo da ponte, mas elas insistem em me doer de vez em quando.
Quando as vejo em outras pessoas.
Quando relembro o quão doloroso foi ser quebrada em pedaços.
Mas a grande ironia de tudo isso é que eu não desejo me livrar delas.
Deixo intocáveis todas as minhas marcas.
Elas estão aqui para me lembrar que eu posso sobreviver e renascer novamente...
...seja lá quantas forem, minhas pequenas mortes.

domingo, maio 24, 2009

Saber esperar

Na sala de espera você fica inquieta
Não quer esperar
Mata o tempo como pode
Olha pela janela, se houver
Lembra, pensa, planeja
Tic tac tic tac
Os ponteiros parecem estar colados no mesmo lugar
E você espera, espera...
Mas tem uma hora que é a sua vez
E ela chega
Sempre chega
Você só precisa saber esperar

sábado, maio 23, 2009

Garantia minha

Eu bem sei que a vida não é só plena de tristeza, tampouco plena felicidade.
A vida não é preto, não é branco. É um dia feio, onde colorimos com um monte de tons em cinza. É tudo alto e baixo, ascender e despencar, são dualidades interrelacionadas, que se seguem, se substituem, se invertem.
O mal vem para mostrar que a vida não é só bem. A tristeza vem para mostrar a imperfeição.
A ruga vem para no rosto mostrar o trágico passar do tempo.
As perdas vem para mostrar que a vida é a vida e um conto de fadas são apenas as mentiras que contamos para fingir que a vida não é a vida.

É, talvez a vida não seja mesmo um conto de fadas, mas eu vou garantir o meu final feliz.

terça-feira, maio 19, 2009

Porque tentar

Talvez porque tudo foi tão bom, que há esperanças do bom voltar
Ou então porque o bem querer é tão grande que segura tudo no seu lugar
Ficar para saber o que vai ser, para não se arrepender, ficar para ver
Pode ser também por se conhecer e ter certeza de que, se desistir,
o caminho será só incertezas e talvez sofrimento, e se ficar, será bom, sempre bom
Ficar por saber que vale a pena tentar e que amanhã será melhor que hoje

sábado, maio 16, 2009

Quando a vida acontece

Eu transpiro felicidade.
Olhe meus traços, olhe minha expressão.
Eu transpiro tudo aquilo que tenho lutado.
Pareço um grande monte de expectativas, circulando de florzinha no cabelo.
Pareço vontades de todas as cores
Porque como dizia Snoopy: It is a big world Charlie Brown!

sexta-feira, maio 15, 2009

Que assim seja!

A cada viagem que faço, a cada visita que recebo, a cada passeio que dou, palavra que aprendo, pessoa que conheço, a cada flor que brota, a cada sorriso que ganho, a cada paisagem que contemplo, alguma coisa dentro de mim dilata. Em toda decisão tomada, passo dado, dor compreendida, em todo momento vivido na presença, na reunião de tudo que sou, algum nó se desfaz em mim, alguma luz se acende, algum medo se perde. Tudo que existe me diz alguma coisa. Nessas pequenas e graduais iluminações liberto o eu de alguma coisa que nao é. Deixo o eu livre para ser cada vez mais eu. A compreensão se revela em seu tempo, o caminho mostra seu sentido. E entendo! Nao devo me tornar nada. Sou a cada instante o máximo que poderia ser. E quanto mais compreendo e vivo isso, mais sou, mais me sensibilizo com existir. E eu está ficando imensa, e a vida esta ficando imensa. Depois do frio, da solidão, do vazio, do sono, do desespero, do perder-se, do cinza dentro de mim, assim como tudo a minha volta, renasce, acorda se abre mais forte, mais vivo, mais sedento, mais faminto do que um dia já foi. Hoje percebo as pedras pelas quais passei e agradeco imensamente ao que cada uma delas me disse e me fez sentir. A vida tem seus segredos. Os milagres só existem para aqueles que acreditam. A busca deve ser desmedida, pois é infinita. Até a lama tem sua beleza, até a melancolia tem seu charme e a dor pode ser bonita porque também é uma forma de enxergar e de nos fazer entender com maior valor aquilo que nao é dor. O importante é beber do limao sem, no entanto, se deixar azedar. Depois do amargo, o mesmo doce de antes torna-se mel. Passar pelos ventos da vida sem cair nas armadilhas fáceis do medo, da raiva, do desamor e do ego, acabam por nos colorir. A vida é uma só. Essa foi a grande compreensão. E não gostar do milagre do eu ou ser pela metade seria um desrespeito ao grande milagre, seria enfim, o maior de todos os pecados. O eu e o agora são as única coisas que me pertencem. E que assim seja, Sempre.

sábado, maio 09, 2009

O significado das coisas

Eu andava na rua e vi um homem de chápeu.
Um senhor, e ele usava um chapéu velho e preto.
Milhares e milhares de dúvidas surgiram na minha cabeça (que estava vazia de todas as outras coisas) a respeito do chapéu.
Eu imaginei se aquele senhor acordou de manhã e pensou: "Vou usar o meu chapéu hoje" ou se ele pensou: "Vou usar meu chapéu de sempre".
Pensei também se ele tem várias cores de chapéu e naquele dia resolveu usar o preto. (Mas preto é tão triste...)
Pensei se, por conta do aspecto velho do chapéu, o pai dele haveria o usado também.
Me questionei se talvez a esposa dele achasse aquele chapéu lindo e por isso ele o vestisse.
Fiquei me perguntando se ele já fez algum remendo no chapéu, se é o chapéu preferido dele, se ele comprou ou alguém deu para ele.
Por último eu me perguntei se aquele chapéu seria importante para ele, ou se era apenas um velho chapéu.
Sabe, aquele chapéu insignificante me fez repensar em todo sentido da vida.
Será que eu tenho também coisas imensamente insignificantes tão cheias de significados?

terça-feira, maio 05, 2009

Descobertas de um mundo novo

Eu lembro que uma vez uma amiga me perguntou se eu achava que um mês era pouco tempo para se apaixonar por alguém. A resposta me faltou aquele dia, porque sinceramente eu achava que não, mas tive uma experiência que me fez mudar de idéia.

Experimente passar um dia com uma pessoa encantadora.
Um diazinho só.
Eu duvido que até a lua chegar no meio do céu (e que lua e que céu mais lindo)
Você já não vai estar apaixonado por essa pessoa.
Quando alguém é encantador, a gente se apaixona.
Às vezes pode demorar meses
Mas às vezes em um dia nossos olhos estão inevitavelmente mais brilhantes.

segunda-feira, maio 04, 2009

Pausa

Uma pausa apenas

Apenas uma vez queria minha vida em estado de pausa

Por um tempo queria perpertuar um momento

Quem sabe assim a distância se torne menor

O tempo passe mais devagar

O espaço seja mais curto,

E o coração sofra menos...

Quem sabe...

terça-feira, abril 28, 2009

Pedacinhos de mim

Há uma pequena parte de mim que quer ficar. Ela grita um gritinho suave, dentro de mim, pedindo, implorando que eu fique. Essa parte de mim quer rir quando o assunto é sério, e às vezes quer chorar no meio do trânsito. Essa parte de mim não pode ver um gramado, que já quer sair correndo. Ela tem medo de tudo e quase sempre quer fugir para onde não deve. Ela se sente perdida, tem saudades de tanta coisa antiga boa e ruim, tem saudade do amor e do desamor que sentiu e tem sede de coisas que não são de beber. Essa parte de mim um dia já foi o meu todo, o seu todo. Agora é apenas uma pequena parte de mim. É a parte que eu estou deixando de ter aos poucos, que eu estou deixando esvair, que está perdendo espaço para uma coisa maior. Uma coisa que as pessoas costumam chamar de "renovação".

sábado, abril 25, 2009

O tempo que faltou

Não olho para a noite, porque não há cor. Eu não gosto quando falta nada, e falta cor. Gosto de sentir a terra girando. E ela gira bem devagar, só pra me provocar. O relógio continua fazendo o barulho dos ponteiros cansados. Que giram num eixo tão pequeno. Olhem para os relógios: que erro! Esse eixo não vai conseguir segurar um dia todo! Consertem-no! Aumentem os relógios! Deixem os ponteiros girarem por mais tempo, eles precisam de mais segundos! E eu preciso de água. Esqueci de tomar água, de comer, de dormir. Eu esqueci, porque pensava naquele mistério: A sua mão que não segura a minha. Há mãos abanando, há mãos que falam pelas bocas surdas, há mãos que imploram perdão, há mãos que mostram uma idade longa, e há a sua, que não segura a minha. Eu sei que há maiores mistérios, como o arco-íris cheio de cores que se unem, e elas se unem tão bonito... Logo depois da chuva. É tão belo: cores claras, cores escuras. A natureza que as fez amarelas, azuis... Mas a noite não tem cor. E é por isso que eu não olho para a noite, porque ela não quis usar nenhuma cor.

quinta-feira, abril 23, 2009

Silêncio do que não foi dito

Às vezes tudo que devemos fazer é dizer a frase que desejamos e então nos calar. Ir embora depois. Porque o que vem depois dessas frases são coisas sugadas de nós, que ainda não estavam prontas para serem expelidas. E tudo que nos é sugado, assim prematuramente, pode doer nos ouvidos de quem sugou. Não quero dor. Ela costuma bater no vidro e voltar de onde veio.

domingo, abril 19, 2009

Simples assim, mas nem tanto

Um dia já existiu castelos, príncipes, fantasias.
Um dia já houve a possibilidade de viagens espontâneas, histórias mágicas, experiências fantásticas...
Um dia nasceu um pequeno príncipe, as serenatas, as flores.
Um dia ela abriu o olho e acordou.
Quem a cutucou foi sua terapeuta, sua idade, sua vida.
Cutucaram tão forte que ao invés de levantar, ela caiu.
Era um buraco muito mais fundo do que o da Alice no final nada de coelhos e relógios.
Ela caiu na real.
Pegou os pedacinhos minúsculos de esperança espalhados pelo chão e seguiu.
No caminho aprendeu algumas coisas, descobriu o que queria, precisava, e o que não aceitava.
Cativou tudo e a todos se responsabilizando - quase sempre - por seus atos.
Um dia cativou um pequeno pinguim.Porém, ela achava que podia transformá-lo em mundo.
No seu mundo.Queria que ele fosse vento, água, sol e terra.
De pouquinho em pouquinho ela foi moldando-o para ficar perfeito, do jeito que ela queria!
Foi tão difícil perceber que não importava o quanto tentasse, ele era apenas um pinguim.
Um dia passou um trem e o levou embora: "Não se preocupe querida... é o trem da vida"e se foi.
Ela então voltou para a realidade novamente.
Deu o que restava de fantasia para um trombadinha - que levou também seus pertences - e chorou.
Daí para frente começou a olhar ao seu redor.
Percebeu como os relacionamentos de hoje são superficiais,como o dinheiro manda em absolutamente tudo,como "um falso sorriso vale mais do que uma amizade"e todo "amor verdadeiro" é o conjunto: carro-roupas-viagens-tempero-vinho-restaurantes-festas-coisase por isso ninguém mais sabe o que sente.
Construiu seu murinho, não muito alto para que não pudesse ver do outro lado, poliu seus diamantes internose deu alguns tropeços em pedriscos no caminho.
Mas não pense que ela entrou nesta concha e não encara a vida.
Foi de tanto encarar que tremeu.
Só soube então se realizar em palavras; seus desejos, medos, saudades.
Ponto final ela não põe em nada.
Não tem a conclusão e deixa quem quizer partir no trem da vida apenas ir...ela só precisa se achar.
Por enquanto só quer aprender a ver a lua sozinha
Para um dia vê-la junto das estrelas.

sábado, abril 18, 2009

De volta a estrada

Eu estou sempre por aqui, quando você precisar.

Sempre por perto, mas percebo-me longe de mim mesmo.

E agora?

Qual é o caminho de volta?

Me perdi nessa estrada que me afasta de mim mesmo.E agora não consigo mais encontrar o caminho...

Perder-se e encontrar-se novamente

Pode ser um caminho sem volta

... às vezes.

sábado, abril 11, 2009

In-decisão

Meu estomago dói, ele sente o peso de uma decisão
Se contorce
Se ajeita
Reclama,
Aperta
Dificultando ainda mais minha concentração, numa tentativa de boicote
Pode gritar, pode fingir estar com fome, pode fingir queimadas amazônicas,
Eu agüento você.
E se eu vencer
Você me agüenta, e sossega, por favor.

quinta-feira, abril 09, 2009

Alma minha

Li em um dos poemas libertinários de Manuel Bandeira, que largasse a minha alma se eu quisesse sentir a felicidade de amar.
"Porque os corpos se entendem, mas as almas não"
Sim, eu largarei minha alma. Deixarei-a vagando por aí, infeliz, solitária, perdida.
Largarei-a para que ela se encontre em um nirvana profundo do paraíso das almas. Largarei-a em uma esquina, sem nenhum radar. Deixarei-a em paz, na paz que as almas encontram quando encontram a si mesmas.

Eu deixarei minha alma passear pelo mundo, pelos cantos, pelas casas e pontes, para que eu encontre a felicidade de amar.

Mas peço a ela, a alma que é, que não me abandone. Que vagueie por muito tempo, que se incomunique com outras almas, que se encontre em espelhos do mundo. Mas que volte para o meu corpo. Porque há muito tempo ele já sente a falta desta alma.

terça-feira, abril 07, 2009

Esperando a próxima estação

Não era primavera e não havia flores pelo chão.

Não havia folhas secas para pisarmos fazendo barulho.

Não era primavera e não ficamos deitados na grama.

Não sentimos frio com o sol na cara, não vimos estrelas.

Talvez porque não era primavera.

Não deixei meu cheiro em seu travesseiro, e você não segurou minha mão.

Que estação era, eu não sei, mas não era primavera.

Porque você partiu, porque eu quis ficar.

Podia ser que você nem me notasse, porque não era primavera.

São poucas as estações, são poucos os dias, são poucas as pessoas.

Minhas palavras não foram poucas, mas não ficaram em você.

Caminharei por entre as árvores e vou lembrar daquela estação, mas haverá outra mão segurando a minha mão, sem que eu peça.

Eu bem que quis, eu até sorri.

Mas não pude ficar, porque eu não posso esperar até a primavera.

Um poema antigo, para uma primavera que nunca chegou.

domingo, abril 05, 2009

Meus detalhes

Tire de mim os meus defeitos.
Veja-me como sou sem meus detalhes explícitos.
Finja que sou sem cor, e pinte-me da cor que quiser.
Se quer que eu seja deusa, serei uma deusa.
Se quer que eu seja só o som da minha voz, serei só o som.
Mas não esqueça de se desiludir depois de fingir.
Eu não sou manequim.
Ponha os meus defeitos de volta.
E se mesmo com todos os meus detalhes -da ruga ao ronco,
Você gostar da minha cor,
Então prepare a sua velhice: iremos caminhar juntos.

terça-feira, março 31, 2009

Leveza da alma

Estou me sentido leve
Meu coração descarregou,
Suave
Emagreci!
Na alma, na mente e no coração
Expulsei de mim, o peso que carregava.
Sem nem ao menos saber o por quê.
E, como uma pluma a flutuar,
no ar...
Leve estou na alma.
Emagreci!
(onde eu mais estava pesada)

sexta-feira, março 27, 2009

Seu silêncio

Calo-me por uns instantes...

na tentativa de que escutes o que grito.

Pois se é no intervalo entre as palavras e os silêncios
que mora o vazio do que nunca foi dito.

Então...

Calo-me para sempre......

na esperança de que digas alguma coisa...

algum dia...

e assim, quando este dia chegar
eu entenda como o silêncio (do outro) faz tanto barulho dentro da gente

quinta-feira, março 26, 2009

Tempo das estrelas

Não chore menina, não chore
O mundo é assim mesmo,
Uma roda gigante
De cima você tem uma vista tão linda que acredita tocar o céu e suas nuvens algodão doce
E quando a roda gigante desce
Você se aproxima da realidade universal
Cheia de imperfeições doloridas
Mas não chore menina
A vida é sempre uma roda gigante
Logo mais é tempo de tocar as estrelas de novo.

domingo, março 22, 2009

A pulga que não quer calar

De uns tempos para cá tenho, acordado com um certo incômodo
E, mesmo sem saber e sem me preocupar com isso durante grande parte do dia
Eu sei que há uma pulga que se mudou para trás da minha orelha.
Nunca dei muita importância para essa expressão e agora entendo bem o significado
Eu passo o dia e as noites me sentindo assim:
Como se uma pulga vivesse ali, atrás da minha orelha
E apesar de reconhecer esse fato você não consegue matá-la
E vive esperando a hora em que a bendita irá tascar uma picada bem ali
E ninguém vai ver nem sentir, só você
Só você vai saber o que é ter uma mordida de uma pulga atrás da sua orelha
Coçando o dia inteiro
Ou nas horas mais impróprias
E a pulga vai continuar lá,
Até você conseguir matá-la
OU NÃO
E pra isso você vai tomar um banho
Vai colocar pomada, eemédio, spray
E torcer para que a maldita vá logo embora
E você torce, torce...e às vezes finge que ela não está mais ali, que você realmente se livrou
Até o momento em que você se lembra que ela está ali sim
E que só você sabe que ela está
Só esperando que ela te pique de novo

domingo, março 15, 2009

Anseios

Eu espero
Tão conformada com a vida
Que ela me traga alguma coisa extraordinária.
Nada menos.
Já me bastam as coisas ordinárias do dia-a-dia.
Já me bastam os muitos 'nãos' e os poucos 'sims' que eu recebo.
Já me bastam as mentirinhas diárias e as pequenas gargalhadas.
Já me bastam.
Quero algo extraordinário.
Eu quero olhar para alguém como o meu pai olha para minha mãe.
Mas eu quero alguém que me olhe de volta.
Já me bastam as desistências covardes que me surgiram.
Mas talvez o segredo seja outro
talvez o segredo seja não esperar
Não esperar demais