quinta-feira, março 31, 2011

Aquele dia, aquela noite, tudo que senti

Deitei minha cabeça no peito dele. Ele nem imagina, mas algo extraordinário aconteceu: eu ouvi o coração dele pulsando, lá de dentro. Com a outra orelha eu pude escutar os sons da rua, das pessoas passando, dos carros, das plantas. Não sei como explicar ele estando lá, vivo, bem do meu lado, e as pessoas andando na rua, as ambulâncias, as folhas das árvores balançando. Ninguém parou, nem por um segundo. O coração dele também não. Ele respirava, o coração batia, e eu ali, participando da vida dele. O meu coração batia também, mas ninguém ouviu. Há tempos corações batem dentro das pessoas, e eu descobri o dele.

quarta-feira, março 23, 2011

Você tem medo de dizer eu te amo?


Uma partezinha de mim sempre espera que talvez, de vez em quando, ou até de vez em nunca, você esteja andando pela rua e lembre-se da minha existência sem motivos, ou simplesmente porque queria me contar uma piada.
E, eu penso em você assim, do nada, enquanto estou procurando um endereço no mapa, ou às vezes esperando a cafeteira esquentar, e inevitavelmente, surge um sorriso no meu rosto.
Talvez por isso eu tenha me conformado a fazer uma ínfima parte da sua vida, quando o que eu queria era fazer parte de toda ela.
Agora tem aquela voz, lá no fundo, dizendo-me coisas que não quero pensar.
Eu a chamo de loucura, mas mais loucura é não ouvi-la.
Posso também a chamar de desilusão, mas estou loucamente a ignorando.
Talvez porque, assim como Tan Hong Ming, eu espere descobrir que você também, tem algo a me dizer.

domingo, março 13, 2011

Ar nosso de cada dia

Tento lembrar de respirar, mas é tão complexo esse processo de puxar algumas moléculas do ar e soltar outras. Me falha a respiração e por isso perco todos os movimentos. Só consigo pensar e nada mais. Claro que os pensamentos não são lineares e enquanto eu penso que estou caindo em um abismo, porque estou há muito tempo sem respirar, eu penso em outras coisas também. Respira, respira, puxa ar, solta ar. O que estou fazendo aqui, por que você está ao meu lado? O que você quer comigo? Por que eu gosto tanto de você, de tocar na sua mão? Eu não sei. Voltei a respirar. Voltei a ser eu, voltei a estar aqui. Esqueci tudo que eu estava pensando, me dá a sua mão, porque eu quero segurá-la. Não me importam motivos. Eu não quero saber o que te traz aqui, desde que eu continue respirando.

segunda-feira, março 07, 2011

um pouco de mim

Não que eu seja das mais inteligentes.
Sou insegura como qualquer mulher da minha geração
Tenho dentro de mim fogos de artifício e a mania de perguntas.
A curiosidade que não me abandona e a memória de peixe.
Me apaixono por qualquer assunto e o esqueço com a sombra do seguinte.
Sou dessas pessoas que de tanto querer novidade me passo por criança e de tanto aconselhar, me passo por madura.
Mudo de cor como o céu de sul do país,
Mudo de humor dependendo da batida.
Sou dessas pessoas que é fácil fazer chorar e mais fácil ainda fazer rir.
Sou dessas pessoas que andam descalça
Sou dessas pessoas que tem saudade de casa
Sou igual a toda e qualquer mulher: louca para se achar e mais louca ainda para se perder

é apenas saudade

Vim tão preparada, vacinada, treinada, que quando os sentimentos me invadem violentamente, eu apenas os analiso. Eu sabia que eles viriam, eu sabia que eles fazem parte do processo e acho que por isso mesmo sinto-me tão leve. Quando eles chegam - como hoje que sinto tanta saudade - eu sorrio. Sentir saudade me faz completa.

quinta-feira, março 03, 2011

Alguns pecados

Talvez eu seja apenas e nada mais que uma pecadora.
Peco por não me apegar a nomes e esquecer os números.
Peco por estar corpo presente e mente ausente,
Peco por insistir em entender o interior, enquanto o mundo vive o exterior,
Peco por acreditar que tristeza e melancolia fazem o homem mais completo,
Peco por sonhar acordada enquanto o mundo mal dorme,
Peco por dormir sábado a noite enquanto o certo é curtir a juventude e peco por ser 100% cafona, enquanto o mundo é muito, muito fashion.

domingo, fevereiro 20, 2011

Falta de coragem

Desistir não é nada fácil. É preciso muita força, muita vontade e muita coragem para desistir. Lutar é clichê, todo mundo luta, todos os dias. Quando desistem é que chamam atenção. Para desistir é preciso perder tudo de dentro, o estágio de vazio deve ser o mais elevado. O irresistível desistir: eu não tenho coragem.

domingo, fevereiro 13, 2011

As vezes que você vem

Se você está aqui,
por que eu estou tão sozinha?
Se você está aqui,
onde está você?
Se você está mesmo aqui,
por que eu me sinto tão perdida?
Por que eu não consigo te encontrar?
Você está mesmo aqui?

um lugar para chamar de meu

Sabia que ia acontecer e aconteceu. Eu, sentada em meu quarto, olhando para o nada. Um vazio gigantesco de não pertencer. Aquela saudade ardida que faz o homem destratar quem não merece e que não há comida que sacie. Cadê toda coragem prometida ao final do processo? Cadê a saudade da terra natal? Onde estaria escondida a felicidade, capaz de preencher o vazio saudozista? Às vezes penso que sou de lá, de cá, do mundo ou de lugar nenhum.

sábado, janeiro 22, 2011

22 de janeiro de alguns anos atrás

Abri a caixa depois de dois anos que eu a mantive fechada.
Cartas, bilhetes, desenhos
e algumas lágrimas que você colocou em um papel de seda.
Encontrei aquele nosso mundo, tão antigo, tão distante.
Não há nada que eu mudaria daquelas risadas
no corredor, naquele terraço secreto,
naquele jardim de outra casa: a gente só sabia rir
do mundo dos outros.
Um dia eu cresci demais para aquele casal que éramos.
Eu e você,
ficamos naquela caixinha azul.

Tempo que pulsa

O relógio parado no pulso.
De ouro, o relógio,
mas estava parado.
Não sabia dizer as horas.
Era de ouro,
mas nada dizia,
nada me disse.
Em outro pulso que não o meu.
Se fosse meu, o pulso,
o relógio não estaria parado.
Talvez o pulso,
mas nunca o relógio.

sábado, janeiro 15, 2011

Desejos de um novo ano

Não mais viver de amores construídos, desenvolvidos ou adaptados e sim do amor verdadeiro que nasce de quase nada e desabrocha com ternura. 
Amor arrasta quarteirão, com direito a recadinho cor-de-rosa e desequilíbrio emocional. Amor com cara de crescimento. Brilhante, latejante...
...que se descubra uma coisa qualquer dentro do peito.

domingo, janeiro 02, 2011

Entre o Velho e o Novo

Foi ao som da tradicional canção ‘Adeus ano velho, feliz ano novo’ que meu ano virou. 
Sob uma noite - não muita estrelada - interior paulista e uma imensidão de verde ao redor, os fogos iluminaram o céu. Não, nada especial ou diferente. 
Inclusive, um tanto decepcionante. 
Um brinde entre amigas seguido por uma chuva de champanhe ilustrou os primeiros minutos do novo ano: 2011.
Estão dizendo por aí que os próximos 300 e poucos dias são de esperança e   e renovação, um recomeço.
Li esses dias, não sei bem onde, a definição do Réveillon: Ano Novo, Esperanças Novas, Regras Novas. 
Acho ótimo. Estava precisando mesmo redefinir alguns conceitos e quebrar algumas normas ultrapassadas. 
Tenho a impressão (leve, sutil, quase imperceptível) de que coisas boas estão por vir. Afinal, 2011 será decisivo... 
De formas incrivelmente distintas.

domingo, dezembro 19, 2010

Medida do tempo

Em cada presente, a mensagem tem um sentido.
A minha percepção de existência está balizada pelo contexto tempo, mais que pelo espaço.
Uma mesma mensagem, cinco minutos depois, não me vale mais nada.
Passaram- se cinco minutos.
Não sou eu que defino o tempo, mas sou eu que envelheço com ele.
Sou eu que transformo as palavras em jóias, para destruí-las, logo após.
Ou transformo um diálogo em lei, uma vida em nada.
Na minha mensagem de hoje falo de paz.
Peço que o tempo afaste minha ansiedade e me dê paz.
No meu presente, faz todo o sentido.
No presente seguinte, rasgarei tudo.
Nesse presente, ela se faz necessária.
Existimos através da medida tempo.
Presos e crucificados a ela.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Mudança a vista

Eu não sei se é tempo de ficar ou ir embora, mas escolhi ficar.

Ouço a chuva caindo, e lembro daquela aula na faculdade, quando me disseram que a chuva nos filmes é sinal de mudança. Sempre penso nisso quando chove, será que a vida também faz sinais subliminares? E se não captarmos eles, e se não captarmos um sinal que diga que é melhor não ficar? Recebo convites e discretamente os rejeito. Não tenho vontade de aceitar mais nada, finalmente acho que estou no lugar certo. É uma combinação de sorte, destino e distração. Eu, distraidamente aceitei os seus convites por achá-los leves. Por sorte foi tudo leve de fato, e pelo destino e escolha minha, aqui eu fiquei.

Enquanto isso, chove lá fora, acho que é sinal de mudança.

domingo, dezembro 12, 2010

Quando Nietzsche e eu choramos

“Houve uma época em nossas vidas em que estávamos tão próximos, que nada parecia obstruir nossa amizade e fraternidade e apenas uma ponte nos separava. Quando você ia subir na ponte, eu lhe perguntei: “você quer atravessar a ponte até mim?’ Imediatamente, você deixou de querê-lo e, quando respondi a pergunta, você ficou silente. Desde então, montanhas, rios torrenciais e o que quer que separe e aliene interpuseram-se entre nós e, mesmo que quiséssemos nos reunir, não conseguiríamos. Agora, ao pensar no pontilhão, você perde as palavras e soluça e se maravilha”.
... “uhm, é uma historieta curiosa, vamos analisá-la. Uma pessoa está prestes a atravessar a ponte, ou seja, a se aproximar da outra, quando a segunda pessoa a convida a fazer exatamente o que planejara. Com isso, a primeira pessoa não consegue mais dar o passo, porque agora pareceria estar se submetendo à outra....”
E eu, mais uma vez, fiquei a esperar. Não sei se uma hora, um dia ou uma eternidade. O tempo das expectativas muda os ponteiros...

quarta-feira, dezembro 08, 2010

E aquela música do U2 que diz "I still haven't found what I'm looking for" faz cada vez mais sentido. Mas o still tem que terminar em algum momento, não? Uma hora, a gente acha o que procura.


Só estou cansada de buscar. E de tentar achar novos caminhos.

domingo, dezembro 05, 2010

I Ching do dia Segunda-feira 6 Dezembro

Hsien: A Atração,

Este é um momento farovável para você, se deseja iniciar ou melhorar uma relação a dois. Agora há, de fato, uma grande harmonia entre as forças do cosmo: a situação é favorável a uma troca, que poderá enriquecer o seu coração e o de quem está perto de você.

Será o universo conspirando por mim?

Longo domingo

Estou sentada na frente do computador e não consegui pensar em nada. Absolutamente nada. Uma hora de nada e outra hora de você. Palavra nenhuma. Isso é culpa do domingo.

Quando um certo alguém

Posso pensar em você, posso? Pensar em você quando acordo e quando vou dormir, pensar em você quando quero suspirar ou quando quero comemorar.

Não tem problema se eu criar um você. Não tem problema se o você não seja bem o meu você.

Não tem nenhum problema se você se tornar um príncipe do cavalo branco ( ou um príncipe de moto?).

Queria só saber se posso pensar em você. Gosto de sonhar acordada.

sábado, dezembro 04, 2010

Questionamentos meus

Você acredita em mudança?
Vivem dizendo pra mim que não se pode mudar o mundo. Ou pessoas. Ou qualquer outra coisa, se não nós mesmos. Dizem que não conseguimos mudar amigos, namorados, pais, lugares onde trabalhamos. Dizem que as estruturas, tanto humanas quanto concretas, são inatingíveis, inabaláveis, imutáveis. Nós somos os únicos objetos passíveis de mudança. O “eu”. Acontece que eu mesma já presenciei mudanças. Pessoas mudam? Não sei se mudam, mas melhoram. E isso já não é uma mudança? Talvez “x” não mude “y”, mas sem dúvida alguma, houve influências, uma palavra amiga, ouvida e entendida. Talvez não aplicada, mas ela existiu. Você acredita em amor? Você acredita que existe alguém no mundo capaz de lhe trazer felicidade plena e lhe completar? Mas aí você me diz: “Mas amor não é isso. Amor não encontrar alguém que lhe proporcione felicidade plena pro resto da sua vida”. E eu lhe respondo, “você tem razão”. Então, em qual tipo de amor você acredita? Você acredita naquele amor que lhe falta o ar? Ou naquele que você desenvolve com o tempo? Naquele amor que você aprende a sentir? Naquele que chega e lhe derruba e nem sempre, você levanta? Ou ainda naquele amor que seus pais viveram, ou seus avós? Naquela linda historia de amor? Blá, blá, blá. Estou tentando definir o amor! Que audácia! Não deveria. Mas você acredita? Ou não? Você acredita em Deus? Naquele que guia e orienta? Naquele que protege e conforta? Ou naquele que leva, sem satisfação, ou dá, sem explicação? Naquele que vê tudo e nada faz? Ou naquele que vê tudo e espera? Em que Deus você acredita, se acredita? Naquele que te deu o livre arbítrio ou naquele que já escreveu toda a sua vida? Aquele que já sabe tudo que você vai fazer, mesmo que você tente trapaceá-lo? Aquele que sabe que você vai pra esquerda e não pra direita? Aquele que sabe quando você vai morrer mas mesmo assim, lhe dá a vida? Você acredita em Deus? Você acredita na vida? Nas pessoas? No tempo? Você acredita em você? Você acredita em “dar a volta por cima”? Em superação? Em decepção? Em felicidade? Em lealdade? Em que você acredita? Com toda a sua força. Em que VOCÊ acredita? E ai, eu lhe pergunto, POR QUÊ?

Meu casulo

Onde é que está eu, essa eu que eu queria ser mas não sou?
Onde ela está, que não aqui?
Quero saber se ela chega algum dia, porque assim eu paro de esperar.
Quero saber se ela vem, se vem acompanhada de outras eus, talvez feitas de sonhos.
Essa matéria tão inútil que é o sonho.
De nada me adianta.
Eu não sou ainda, quanto mais um sonho.
Eu não terminei de me formar.
Larva no casulo.
E pode ser que o casulo seja eu.
Pode ser sim.
E o casulo fica achando que um dia descasca em borboleta, mas que bobagem, se o casulo é o eu. Loucura, eu sei. É que tem dia que eu acordo casulo.
Tem mês que eu acordo casulo.
A borboleta é difícil, tão rara.

domingo, novembro 28, 2010

Boa noite meu bem

Boa noite, namorado, que às vezes eu me sinto tão longe de você. Acho que você já dormiu. Fez bem, chove lá fora tão gostoso. Não tem problema que você não me ligou, eu já estou indo dormir mesmo, tudo bem. Às vezes a gente esquece do amor, não é mesmo? Boa noite, durma bem. Tenha sonhos gostosos, acorde bem tranquilo. Não tem problema que você desistiu de me levar para sair, eu já sabia que isso ia acontecer. Você fica cansado e desiste. Não faz mal. Eu até confesso que quando eu me sinto longe de você, tenho preguiça de te conhecer tudo de novo. Hoje eu teria que dizer "de onde você veio?" porque eu teria me esquecido. É o meu mecanismo de defesa. Eu esqueço de você toda vez que você esquece de mim. Boa noite namorado, que essa noite eu não consigo esquecer de você.

Caminho até nós

Eu não me importo com os caminhos que você tenha percorrido até chegar no ponto onde a gente se encontrou sem querer. Você pode ter sido famoso, pode ter tido milhares de namoradas em todos os cantos do mundo, pode ter sido um cantor charmoso ou até um mendigo. [Mas o momento do nosso encontro marcou um ponto no mapa da sua vida.] Esse ponto é um começo. Esse ponto é o resto que vai vir a partir de então. As fotografias não vão sumir, as namoradas vão continuar no mapa também, mas a partir daqui eu vou estar nas fotos, eu vou sorrir com você, e o seu mapa vai se misturar com o meu. A gente vai traçar o resto juntos. Por isso, nada disso importa: eu já fui um alguém antes também. Seremos juntos agora.

O tempo que passa

Tudo que você diz guarda uma despedida triste. Mas só eu posso ouvir o adeus de cada palavra sua. Você tem um jeito manso de dizer que o mundo está desmoronando. E eu, secretamente, às vezes desejo que ele desmorone logo. Que tudo recomece com outro começo. E você sabe o que eu queria que mudasse, mas você, secretamente, não sabe se também queria recomeçar. A gente sorri para toda essa areia caindo na ampulheta, porque somos tão tolos... Mal sabemos que o mundo está prestes a rachar ao meio, e que cada um de nós vai ficar de um lado.

Divisa da vida

Eu não sei o que será de mim quando eu tiver que dividir a minha cama com um homem, todos os dias. Fico pensando se eu serei capaz de dividir a minha vida. Ela é tão escassa, tão pouca, mal dá para eu viver. O que será dos meus pensamentos se eu tiver de compartilhá-los todo tempo? O que será dos meus silêncios? E se eles forem mal interpretados? Eu não consigo explicar todos os meus silêncios. São tantos, eles fazem parte do que eu sou. Eu sou feita de silêncios e algumas palavras entre eles. O que vai ser da minha vida, dividida ao meio? Vai sobrar um pouco para existir por aí, sem ser de ninguém?

só isso

isso tudo uma hora vai acabar, mas eu não quero saber. não quero que alguém me diga e eu não quero perceber. eu não quero receber um aviso, eu não quero receber um sinal. só isso. não quero ver, não quero mesmo. eu quero acordar um dia, e de repente ver que o que iria acabar já não acabou, e que não tem mais o que acabar.

sábado, novembro 27, 2010

Tempo de mudança

Onde é que está eu, essa eu que eu queria ser mas não sou? Onde ela está, que não aqui? Quero saber se ela chega algum dia, porque assim eu paro de esperar. Quero saber se ela vem, se vem acompanhada de outras eus, talvez feitas de sonhos. Essa matéria tão inútil que é o sonho. De nada me adianta. Eu não sou ainda, quanto mais um sonho. Eu não terminei de me formar. Larva no casulo. E pode ser que o casulo seja eu. Pode ser sim. E o casulo fica achando que um dia descasca em borboleta, mas que bobagem, se o casulo é o eu. Loucura, eu sei. É que tem dia que eu acordo casulo. Tem mês que eu acordo casulo. A borboleta é difícil, tão rara.

Flores bem aqui

Fiquei tão feliz com as flores, não sei se você sabe exatamente o quanto. De repente me deparei com um sinal de que eu pertenço aqui. Um sinal de que alguém sente a minha presença, eu tenho a capacidade de fazer alguém feliz. "Ei, olha o que tem de lindo no mundo, nesse mundo, ao seu redor, bem aqui!". E eu sorri. Você me faz sentir importante nesse lugar, onde ninguém importa.

do lado esquerdo do peito

Fui dormir
esquecida
gripada
doendo tudo
quando fechei os olhos
veio a mãe
com os remédios,
-não fui esquecida!
Fui dormir de novo
e veio o pai
com o remédio:
-eu não esqueci de você
e eu melhorei
todos os sintomas
só de aquecer o lado esquerdo do peito.
Esquecida eu posso ser,
no trabalho,
na praia,
aqui não.

terça-feira, outubro 12, 2010

Conserto de órgão

corta, abre, costura e fecha
mas não fecha tão bem
que é para poder abrir
se de repente o amor acontecer

Ventania

O vento que passou, levou quase tudo
Poderia ter levado quase tudo, mas não levou quase nada
Quebrou copos, vidros e objetos, mas não quebrou ninguém.
Vestidos voaram mostrando o que não deveria
Mas nenhuma moça sofreu ferimentos.
haverá sempre um refúgio, um abrigo qualquer.
Nenhum vento no mundo pode ser tão forte,
a ponto de mudar uma vida de direção.

Correções no caminho

Se houver falha no destino, que ela faça um encontro nosso.
Quero aceitar o seu perdão, quero ver se você está bem, quero te dar um abraço e dizer adeus direito.
Se houver falha no destino que ela seja longa, que ela se repita, que ela seja hoje.

Transmissão de pensamento

Será que ele ouve quando ela pensa nele?

Quando não se sabe

.. eu também não sei remar.
Estou no barco ao lado, com os meu remos também inúteis.
Te conforma saber que a correnteza do rio é forte?
Ela está nos levando para algum lugar.
Não sei bem para onde,
mas o barulho do rio é bom...

domingo, setembro 26, 2010

Sua história

Um dia ele virá
Ela não estará pensando sobre isso e ele virá.
Um um sorriso no rosto e com um monte de sonhos
Ele irá ensinar-lhe coisas interessantes e as pequenos detalhes da vida
Ele vai ver em suas coisas o que ninguém viu e vai se sentir completo com ela
Ele vai trazer-lhe flores e palavras romanticas
Ele vai fazê-la sorrir e sentir-se em outra galaxia quando ao lado dele
Eles farão planos juntos e ele irá admirá-la
Mesmo depois que ela envelhecer e mesmo que ela não possa ber bem uma ou outra coisa
Às vezes ela fica preocupa, confusa e sem esperança
Mas espere, ele virá.

domingos

Nunca entendi bem para que existem os domingos. O ar fica carregado de uma coisa qualquer. As vezes eu acho que o domingo é para dar saudades (e que saudade) de quem tá longe. As vezes acho que é para deixar melancólico e e tem vezes que tenho certeza de que o domingo é feito só para sufocar.

vinte e seis de setembro de mil novecentos e setenta e sete

Esse dia eu nasci, e desde então eu tenho esperado que tudo seja uma surpresa. Talvez porque tudo seja mesmo uma surpresa. Bem, às vezes não. Às vezes acontece exatamente o que eu esperava, mesmo que eu esperasse apenas um silêncio, ou um vazio qualquer.

terça-feira, agosto 03, 2010

Sem pressa

Eu sinto como se todo tempo os dias ficassem me esperando, sentados, com um pouco de pressa. Pernas balançando, me reprovando e aprovando algumas vezes. Os dias conseguem ser bastantes cruéis, e eu quero só saber o que será deles, se um dia eu me sentar e esperar por eles.

Uma página por vez

Eu posso ficar completamente brava, ou encantada com alguém, não importa.
É sempre a mesma resposta que ela me dá (e eu prefiro ouvir isso quando encontro pessoas terríveis, me dá um certo alívio), ela diz:
- É só mais um capítulo para seu livro.

domingo, julho 25, 2010

Longo inverno

Nem todo frio que sentes, é culpa desse inverno
Pode ser que parte dele seja do inverno passado
que ainda gela em ti

Um coraçao só

Nunca se deve deixar o coração sozinho
Ele pode se confundir
Ele se confunde com a chuva
ele se confunde com a neve (que nem existe aqui)
Um coração sozinho faz desgraças
Ele se despedaça inteiro,
só para magoar a gente.
Depois para consertá-lo dá o maior trabalho.
...se um dia eu conseguir...

domingo, julho 11, 2010

Descobri que nada é definitivo quando as pessoas vão embora.
Você foi embora e eu descobri que nada é definitivo.
Quando eu fui embora eu estava com medo de ficar definitiva.
Hoje eu só quero que dure até amanhã.

Marcapasso

Tenho observado o relógio da minha casa. Faz um tempo que sento no quarto e fico a observá-lo.
Eu percebi que já tem um tempo que ele me persegue.
Quando eu me preparei para sair, ele me mostrou as horas, quando eu estudei sem parar, ele me mostrou as horas.
Quando chorei de saudade, quando dancei sozinha, preparei meu almoço, fiquei muda por horas ou quase morri de amor, ele me mostrou as horas.
Tem momentos que eu queria que ele não existisse. Queria que não tivesse nada no mundo me mostrando que o tempo passa ou que ainda é cedo ou tarde demais.
Teve outros momentos que ele mostrou que faltava pouco.
Acho que entre tudo que me acompanhou até esse momento, ele é o mais fiel.
Nunca, nunca mesmo deixou de registrar nenhum segundo.
Acho que estou aprendendo que todo mundo é substituível. E quando você descobre que todo mundo é substituível, uma coisa qualquer se quebra dentro do peito.
Até que minhas idas e vindas pelos estados do país tem me ensinado muito.
Esses dias parei para pensar sobre o que os comissários de bordo dizem em caso de acidente. Algo como: "Puxe uma das máscaras, coloque a sobre o nariz e a boca ajustanto o elástico em volta da cabeça, e depois auxilie os outros caso necessário".
Primeiro é preciso que você respire e sobreviva, para que depois você possa ajudar quem quer que seja ao seu lado a sobreviver também. Essa é a lei dos aviões em turbulência.
Essa é a lei de qualquer turbulência.
Sobreviva antes de tentar salvar os outros.

sábado, julho 03, 2010

As voltas do meu mundo

Isso que o mundo dá voltas
Ele dá voltas mesmo
Gira
Gira
E trás meu passado de mansinho a mexer
Cada passado mexe de um jeito
Coça uma parte do corpo
Algumas pessoas fazem uma massagem no ego, gostosa, que deixa a gente sorrindo a toa
Outras dão um apertão violento no coração.
Nossa que aperto
Libriana que sou, fico estranha com essas visitinhas do passado
Sempre tenho que colocar uma música que me faça bem
Respirar fundo e olhar no canto do computador
22:09 do dia 16 de maio de 2010
Não é ontem nem anteontem
Não é ano passado
Não é infância
É 16 de maio de 2010
E acredite,
É preciso ficar atenta
Numa piscada de olho
Tudo muda novamente
E o presente me escapa.

quinta-feira, julho 01, 2010

A minha São Paulo

Eu gosto de uma coisa meio cidade do interior, ou um Rio de Janeiro de 60.
Essa sensação de que conheço todo mundo, barquinho e violão, praça no final da tarde.
São Paulo me assusta. Perco-me e me acho e me perco.
Muita gente, muito espaço e pouca praça.
O tempo escapa, não tem essa de estender num bar, cuidado com o trânsito.
Certa vez escutei de uma recifense em Recife – rodízio de carro? Mas como funciona esse lance?
Gosto de dar oi na rua pra gente conhecida, gosto de estender a tarde sem dar sinal. Quer achar a turma, estão ali na esquina, é claro. Onde mais poderia?
Uma coisa de violão e interior. Uma coisa de saber com quem fala e por onde anda. Uma coisa de não deixar o mundo ficar tão cheio de porcarias.
Tão cheio.
Chico diz que para gostar de uma cidade é preciso saber viver nela.
Difícil, veio sem manual.
São Paulo é ambiciosa, competitiva.
São Paulo tem de tudo, mas se você bobear não encontra nada.
Cidade que não sabe jogar conversa fora.
Certo está Vinicius... aqui não é para principiante não.